Brasil precisa avançar em estratégia de inovação

Lançamento do evento aconteceu no Palácio Piratini, em Porto Alegre /LUIZ CHAVES/PALÁCIO PIRATINI/JC

O Brasil possui diversas iniciativas referências em inovação, que passam por parques tecnológicos, aceleradoras, incubadores e startups desenvolvendo produtos e serviços disruptivos. O que falta é potencializar isso e ligar os pontos, alerta o presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Humberto Pereira.

“O Brasil é um país de superlativos, com importantes iniciativas sendo feitas em alguns polos de inovação, como em Florianópolis, Porto Alegre e Campinas, mas ainda são ações pontuais. Precisamos de uma estratégia nacional de inovação”, defende. Ele esteve ontem em Porto Alegre para participar do lançamento da Conferência Anpei de Inovação 2018, que irá acontecer de 28 a 30 de maio, em Gramado, com o tema Novas Alavancas de Criação de Valor. O encontro aconteceu no Palácio Piratini com o governador José Ivo Sartori. A conferência é promovida anualmente, em diferentes estados, incluindo palestras de especialistas, apresentação de cases de inovação de grandes empresas e instituições científicas e tecnológicas, rodadas de negócios e visitas técnicas.

Pereira analisa que o Brasil possui marcos regulatórios importantes na área da inovação, embora eles nem sempre tenham avançado na velocidade esperada. Entretanto, quando se pensa na questão estrutural, o que inclui o cenário econômico, é que se percebe o quanto ainda é preciso avançar. “Existem iniciativas que não estão necessariamente ligadas às áreas da Ciência, Tecnologia e Inovação, mas das quais elas dependem. Um exemplo é a necessidade de o governo criar condições que motivem o empreendedorismo”, sugere Pereira.

O Brasil, segundo ele, possui um investimento razoável em ciência, mas ainda enfrenta a lacuna de transformar isso em valor aplicado para o mercado. “A qualidade da pesquisa científica básica produzida aqui é muito relevante, mas, mesmo nesse aspecto, precisamos de um direcionamento nacional sobre os focos principais a serem explorados”, diz, citando as áreas de agronegócios, matrizes energéticas e as ligadas a transformação digital, como Internet das Coisas e manufatura avançada.

Patricia Knebel

Jornal do Comércio

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