Como um mentor pode ajudar a sua empresa a crescer

O foco do mentoring é o fortalecimento do líder – seja auxiliando-o na tomada de decisões ou ajudando-o a transpor desafios e desenvolver visão estratégica

A empresa ia bem. Possuía uma carteira considerável de clientes e o faturamento pagava as contas. Mas algo intrigava Patrícia Casé, 56, quando decidiu procurar um mentor para auxiliá-la na gestão da Casé Assessoria, agência de comunicação com foco na área cultural. “Estava sentindo que as relações interpessoais estavam ficando viciadas e que era necessário implantar mudanças na empresa – só não sabia quais”, afirma a empresária.

Com o processo de mentoring – em reuniões semanais que envolveram o seu braço direito, a gerente Fabiana Oliva – Patrícia começou a descobrir o que a incomodava de fato. “Acreditava que, em time que está ganhando, não se mexe. Mas não é bem assim porque a equipe acaba caindo na zona de conforto”, afirma. Além disso, por ser uma empresa de pequeno porte, Patrícia percebeu que as relações estavam mais interligadas pessoalmente – do que profissionalmente. 

Durante as reuniões com o mentor, a empresária refletiu sobre sua conduta de gestão com os funcionários e clientes – e sua estratégia para a empresa. Um ano depois, encerrou o mentoring com resultados internos que refletiram-se em um aumento de 30% da carteira de clientes. “Acho que o mais importante foi criar um método dentro da empresa, profissionalizar determinadas áreas e corrigir rotas de processos que por pouco não davam certo”, afirma.

O processo de mentoring é cada vez mais popular nos Estados Unidos e ganhou força no Brasil nos últimos anos. É uma opção para o líder que busca auxílio profissional principalmente na área de gestão. Época Negócios conversou com especialistas para entender como o mentoring funciona e até que ponto deve seguir o que ele têm a dizer. 

O que é um mentor: É um profissional experiente em determinada área e que tem um talento para diagnosticar problemas e observar situações, explica José Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC). O mentor não é consultor e nem coach.  “É alguém que consegue analisar diversas esferas da empresa, tem conhecimento sobre vários assuntos e aquela habilidade do coach de entender o comportamento humano”, afirma Flávia Lippi, especialista em business mentoring.

O que esperar de mentor: O foco do trabalho do mentor é o fortalecimento do líder – seja auxiliando-o na tomada de decisões com mais segurança ou ajudando-o a transpor desafios, identificar novas metas e desenvolver uma visão estratégica. É um novo olhar, longe da “miopia corporativa” que o mentor pode trazer, aponta Flavia. Para Marques, o processo de mentoring precisa incluir novas propostas de ações para o líder, “condutas que ele não praticava antes”. 

Flavia cita alguns exemplos práticos de ações do mentoring: entendimento de personalidade das pessoas com que se negocia, técnicas de diminuição de estresse na negociação, desenvolvimento da criatividade, sessões de preparação para uma reunião externa, construção de cenários, entendimento de si mesmo (no caso, o líder) e visão futura de negócios com reflexão sobre novas oportunidades com retorno financeiro.

Até onde escutá-lo: Para Flavia, o profissional não deve ouvir cegamente um mentor. “O mentor chama a discussão e reflexão. Se for preciso, até convida pessoas interessantes para conversar com o mentorado”. As ações precisam ser construídas entre o mentor e o profissional – e não ser algo unilateral defendido pelo mentor, afirma Marques. “Se o funcionário não acreditar que aquilo que irá fazer pode dar certo, não vai ter resultado algum”.

Como escolher? Para os consultores, a palavra mais importante em um processo de mentoring é afinidade. “Pessoas só fazem negócio por afinidade. Quando alguém procura por um mentor, ele precisa sentir que há uma conexão – até para motivar-se a descobrir o que está faltando em sua vida profissional. Do contrário, vira consultoria, curso técnico de negociação”, afirma Flavia.

Marques sugere um modo de encontrar o melhor profissional para auxiliá-lo. “Escolha três mentores do mercado – de acordo com a sua área de atuação – e convide-os para uma conversa. Sinta com quem você gostaria de trabalhar. O conhecimento técnico é apenas um dos fatores. Perceba os campos relacionais de cada um e como eles pode se conectar a você”

Tempo (mínimo) de mentoring:  Depende de fatores como objetivos e estratégia – e a regularidade das reuniões entre o mentor e o líder. De modo geral, 12 meses é um tempo bom para evolução de um trabalho, afirmam os consultores. A obtenção de resultados – ou, pelo menos, a percepção destes – vêm antes, no entanto. Para Marques, o líder profissional percebe a mudança já após três encontros. “É necessário ter a sensação de andar para frente a cada reunião. Se isso não ocorrer, é preciso avaliar o que não está dando certo”, aponta o especialista.

Fonte > Época Negócios

Por BARBARA BIGARELLI

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