Ninja ou samurai: que tipo de profissional você é?

Gostaria de começar este artigo com uma provocação: você se considera um ninja, no sentido de ter um perfil pessoal e profissional inovador e arrojado, ou um samurai, alguém que adota uma postura mais conservadora e previdente? Contextualizando esses personagens da história japonesa, o samurai era o guerreiro que obedecia a um rigoroso código de ética em combate enquanto o ninja empregava táticas pouco convencionais envolvendo emboscadas, disfarces e espionagem. Outra diferença fundamental é que o samurai sempre lutava com sua tradicional espada katana. Já o ninja respondia ao ataque com uma gama diversificada de armas que incluía de bastões a correntes.

Traduzindo essa analogia para o mundo corporativo, podemos caracterizar o samurai como o profissional cujo modo de atuação é mais cauteloso e menos propenso ao risco, já que a análise dos aprendizados e das experiências anteriores lhe conferem preparo para gerenciar cenários conhecidos. Dessa forma, ele age com mais rigor formal, seguindo padrões estabelecidos e comprovados, contando com resultados esperados em contextos estáveis, pois suas decisões são complexas e, consequentemente, de difícil reversão.

Por outro lado, o ninja é personificado pelo profissional que age de maneira disruptiva e altamente informal. Ele é mais suscetível a correr riscos e se sente pronto para responder a desafios desconhecidos, apostando em tentativas e práticas experimentais para obter os resultados projetados em contextos dinâmicos. E é justamente por propor soluções rápidas e temporárias a curto prazo, as chamadas “quick and dirty”, que suas decisões podem ser mais facilmente revertidas.

Ouvi essa analogia pela primeira vez há alguns anos em um evento com especialistas do Gartner. Incorporei esse conceito em minhas palestras e é interessante notar que à medida que exemplifico com as diferentes formas de atuação destes guerreiros no ambiente corporativo, meus interlocutores respondem às minhas perguntas ora como samurais, ora como ninjas.

E não há como ser diferente. Embora cada pessoa tenha uma identificação maior com a figura do samurai ou do ninja, eles correspondem a polos opostos que abarcam inumeráveis gradações entre eles, como uma extensa paleta de cores que vai do branco ao preto. Poderíamos deduzir que um profissional mais experiente certamente se encaixaria no perfil samurai, porém ele também apresenta traços de identidade do ninja. Da mesma forma que um jovem da geração millennial tem uma maior tendência a se identificar com um ninja pelo estilo de vida e profissional arrojado, ele também manifesta nuances características de um samurai.

Aliás, é de suma importância que as empresas tenham equipes de trabalho com uma mescla destes dois estilos profissionais, unindo a experiência e prudência de um samurai ao frescor e ousadia de um ninja. Apenas a diversidade e pluralidade de pessoas em um squad, com vivências múltiplas, habilidades variadas e olhares distintos, é capaz de gerar soluções mais inovadoras que poderão alcançar uma audiência eclética.

Também podemos trazer esse conceito para o mercado da indústria de pagamentos, destacando, por exemplo, como a transformação digital vem ressignificando todos os conceitos até então pré-estabelecidos e apresentando novas experiências aos consumidores e estabelecimentos comerciais.

O primeiro pagamento no e-commerce realizado na rede Visa há 25 anos representava uma solução totalmente inovadora e, portanto, com forte característica ninja, em que o consumidor tinha a facilidade de clicar no botão de “comprar” no conforto do sofá de casa ou de qualquer lugar do mundo. Contudo, foi a segurança – item absolutamente formal e característico ao universo samurai – que vem conduzindo o crescimento dos pagamentos digitais, pois ao constatar que o ambiente online é protegido o consumidor sente mais confiança para realizar novas transações.

Para que uma transação de pagamento, que leva apenas milésimos de segundos, seja resguardada, é preciso investir no desenvolvimento de novas soluções inovadoras de segurança tais como o protocolo 3DS e a tokenização, e nesse caso temos o encontro dos dois universos: o comportamento meticuloso e analítico de um samurai e a prontidão necessária para responder a novos desafios característico de um ninja.

Olhando no retrovisor, nossa aposta era que os pagamentos online teriam um papel fundamental na sociedade. No cenário atual que vivemos, quando somos desafiados por uma crise que nos deixou ainda mais conectados frente ao isolamento social, constatamos que nossa aposta estava correta ao ver a relevância dessa transformação tecnológica como protagonista nas ações mais simples do nosso cotidiano, como comprar uma refeição ou solicitar um motorista por aplicativo. E é justamente por isso que, seguindo o caminho do meio na busca pelo equilíbrio do melhor dos dois universos, ninja e samurai, estamos sempre nos reinventando, com um passo à frente para o próximo combate.

Por Percival Jatobá »» Fonte do artigo selecionado »» CANALTECH

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